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segunda-feira, 16 de maio de 2016

MAKEUP ARTIST, MAQUIADOR(A), ESTETICISTA...




Então, ‘maquiador(a)’ ou ‘esteticista’? O final de uma confusão lamentável?
Alain Folgoas

 NOTA DE ESCLARECIMENTO: Queremos deixar claro para nossos leitores que este texto foi escrito dentro do contexto francês, porém ,como este fato  que ocorre na França possui várias semelhanças com a mesma banalização da profissão, que acontece tanto no Brasil quanto em diversos outros países, resolvemos traduzir este artigo,para que uma reflexão global  também posssa ser feita pelos profissionais da área.

Atualmente, o francês é falado de qualquer maneira, as pessoas se esquecem do sentido das palavras e empregam palavras de forma errônea, o que acarreta, no fim das contas, uma confusão da linguagem , com as pessoas se sentindo feridas em consequência de erros resultantes do emprego inapropriado de certos termos.

A estética profissional data de fins do século XVIII, início do século XIX, quando era executada por vendedoras do sexo feminino que aprendiam a profissão em butiques que vendiam tanto perfumes ali fabricados quanto produtos cosméticos.



A revolução industrial do século XIX transformou estas pequenas lojas em empresas maiores, indústrias de fabricação de cosméticos e perfumes, e em institutos de beleza que passaram a sentir a necessidade da criação de escolas que formassem estes funcionários encarregados de embelezar as clientes para lhes vender produtos de tratamento e maquiagens que lhes proporcionassem uma beleza miraculosa...


Paralelamente, entre 1865-70, a maquiagem de teatro foi sendo instaurada por Shakespeare em seu teatro londrino  no início do século XVII , para substituir as máscaras incômodas (de madeira, couro ou papelão) que até então eram usadas.

A maquiagem se desenvolveu na Alemanha, com a criação da marca L. Leichner, por um engenheiro químico e farmacêutico. As vendedoras que trabalhavam nas boutiques embelezando suas clientes foram chamadas de ‘esteticistas’.
No teatro, os produtos serviam para ‘fazer a máscara’ (‘masque’ em francês), com massas e cremes, e os profissionais que realizavam este trabalho foram denominados ‘maquiadores’ (‘maquilleur’) (etimologicamente ‘criadores de máscaras’)...





Os primeiros maquiadores de cinema certamente apareceram com Méliès, mas também exerciam a função de maquiadores  os atores que se maquiavam muito bem (como Lon Chaney e Jack Pierce, a quem devemos tanto hoje em dia) e que passaram inclusive a fazer não apenas suas próprias produções mas também a maquiagem dos outros atores...


Jack Pierce

Maquiadores de cinema originários de ateliers de perucas dos teatros da Europa do Leste, abalada pela revolução bolchevista de Outubro de 1017, como Max Factor  (https://en.wikipedia.org/wiki/Max_F....) ou George Westmore, o célebre patriarca da célebre família  (https://fr.wikipedia.org/wiki/Famil...), passaram a vender suas produções industrializadas ao grande público, ajudando assim a popularizar de maneira imprópria, na cidade, a denominação ‘maquiador’.

Max Factor
O esnobismo deu uma mãozinha a esta tendência e , hoje em dia, encontramos esteticistas que se auto proclamam maquiadoras, sem jamais terem o nível de estudos relativos à profissão, assim como encontramos maquiadores que fazem o trabalho que antigamente era específico das esteticistas e que consiste em embelezar sua clientela com maquiagens para casamento, fotografia, etc.

Daí a grande confusão atual que é feita com os termos e sobre quem faz o quê. Entretanto, o acesso e os estudos para estas duas profissões, tão respeitáveis, são fundamentalmente diferentes.
Na França o métier de maquiador é reconhecido juridicamente apenas como sendo um trabalho assalariado intermitente do espetáculo, sujeito a múltiplos empregadores. Neste status, o profissional é empregado através de contratos de duração determinada, para uma determinada produção, por um dia ou várias semanas, de acordo com a duração de seu contrato.

Fora do meio do espetáculo, a maquiagem de noivas dependia e depende ainda juridicamente do estatuto artesanal e não daquele assalariado das esteticistas. O mundo evoluiu rapidamente e sabemos que as coisas mudaram, mas a legislação ainda não seguiu esta evolução com a mesma rapidez que ela ocorreu.

 Os cursos de estética possuem um programa muito diferente da bagagem necessária que um maquiador deve possuir, e o inverso também ocorre, ainda que as duas profissões se sobreponham um pouco com relação às maquiagens clássicas de beleza que valorizam as pessoas. Mas isto não é suficiente, repito.

Do final dos anos 20 até o fim da década de 80, os estúdios americanos formavam seus próprios maquiadores através de aprendizagens integradas. O maquiador, então, era empregado (e pago modestamente) por um estúdio cinematográfico (produtor de filmes) para aprender, durante 50 semanas por ano e 10 horas por dia, o que perfazem 2500 horas anuais de estudo. Hoje em dia estamos longe disso!

Antigamente os maquiadores aprendizes iam sempre participar e ajudar nas filmagens e trabalhavam com maquiadores qualificados sob a direção do chefe do departamento de maquiagem e penteado.
Imaginem a formação que recebiam! Eles sabiam fazer tudo relativo à profissão e não executavam apenas maquiagens de beleza, ainda que estejamos falando do passado, da época em que os filmes eram gravados em preto e branco e a maioria das maquiagens de cinema eram de embelezamento.  
O aprendizado feito desta maneira era excelente para nossa profissão, tanto na França quanto nos EUA, ainda que na França a duração fosse menor,   cada aprendiz sabia fazer praticamente todas as técnicas da época.

Infelizmente este tempo acabou, assim como foi extinto o  “Makeup Test” sindical que os aprendizes deviam fazer frente a um representante de sindicato dos maquiadores e maquiadores de outros estúdios. Este teste qualificaria, definitivamente ou não, o postulante à carreira de maquiagem de cinema.

Hoje em dia os maquiadores experientes lamentam seu fim , pois isto rebaixou o nível dos maquiadores que entram no mercado.
Hoje em dia, as pessoas resumem, abusivamente, a maquiagem à beleza (ainda que não seja indispensável ser esteticista para ser maquiadora, mesmo que se possa ser os dois sucessivamente, ou paralelamente) e as pessoas consideram, de modo errado, como ‘efeitos especiais’ tudo o que não é beleza.

Ora, há um abismo entre os verdadeiros efeitos especiais (as cabeças que explodem, machucados, membros dilacerados, a robótica, a animatronica) e a estética.
TUDO que se relacionar com a pele do ator tem a ver com a maquiagem de cinema-espetáculos e com o profissional ‘maquiador’. Entretanto esta categoria não está ainda reconhecida em todo seu justo valor e não interessa praticamente ninguém, nem à Academia dos ‘César”, que entretanto deveria ser a primeira a se interessar, nem à maior parte dos alunos que frequentemente pensam saber mais do que os maquiadores experientes, nem às escolas que argumentam que os alunos não estão interessados e preferem ensinar coisas mais acessíveis do universo da estética porém nem um pouco úteis no cinema.



 Entretanto, se um restaurante não oferece um prato em seu cardápio é lógico que a clientela não o pedirá ao garçon e nem pagará por ele...

 O QUE DEVE SABER FAZER UM 'MAQUIADOR', NO SENTIDO QUE DEFINIMOS ACIMA?

Com certeza,  deve saber fazer todas as maquiagens de beleza visíveis, e também as maquiagens imperceptíveis chamadas  ‘non-maquillé’ em francês, que representam as pessoas dos dois sexos em seu aspecto natural, de todas as épocas, de todas as condições sociais, saudáveis ou não, machucados, mortos... e também deve saber fazer rejuvenescimentos importantes, envelhecimentos sutis ou extremos.

Conhecer pelo menos o uso de próteses feitas com diferentes tipos de materiais pode ser útil para este tipo de exercício, como para as feridas (isto faz parte de uma bagagem mínima, assim como os postiços...) ou a criação (muito rara no cinema francês) de aliens e outros monstros ensanguentados.

Yoda avec Stuart Freeborn, son créateur;
et le réalisateur Irvin Kirshner qui maquille le maquilleur (Yoda com Stuart Freeborn, seu criador, e Irvin Kirshner maquiando Stuart)


É necessário conhecer todas as matérias, todos os produtos, todas as técnicas de maquiagem, das mais antigas às mais recentes, de modo a poder escolher o que é mais apropriado para o projeto proposto.
Por que fazer um nariz caro de silicone, que vai ser usado apenas um dia, em um curta metragem, quando um pouco de massinha de cera bem utilizada pode fazer o mesmo efeito a baixo preço? Mas se não se sabe fazer, fracassa-se, por falta de uma boa formação específica.
Infelizmente há cerca de 30 anos , muitas pessoas saem das escolas de maquiagem com uma formação profissional muito curta ou mal administrada...

Estudar com professores oriundos do mundo da estética, ou que nunca exerceram verdadeiras responsabilidades nos sets de filmagem, rebaixa-se consideravelmente o nível dos novatos e da maquiagem na França. Mesmo se isto acontece também em diversos outros países, é um erro grave e prejudicial à profissão como um todo e as boas escolas são raras.
Que as escolas de estética continuem a formar profissionais sérios ao belo e útil métier de esteticista é algo perfeito e desejável.  

 Sobretudo é  desejável que os cursos de maquiagem profissional que formam jovens que se destinam ao mundo do cinema e dos espetáculos, os formem passando todo o tempo necessário em todas as disciplinas que envolvem nossa profissão e que, se preciso, reorganizem um pouco o currículo,  para fomentar um maior interesse nos profissionais para que estes empreguem os alunos.

Alguns o fazem e isto é bom para todos. Eu convoco os outros a se alinharem, em seu próprio interesse e no interesse de todos. Também convido os alunos a verificarem o grau de experiência dos professores que estão ensinando, pois é com isto que deverão construir sua carreira e futuro.

OBS: As fotos são meramente ilustrativas e foram garimpadas por nós, na INTERNET, não estando presentes no artigo original do autor. Não sabemos exatamente a quem elas pertencem e as utilizamos para ilustrar o artigo em questão, porém se o proprietário (ou detentor de direito das mesmas) se comunicar conosco por email podermos citar seus créditos ou tirá-las do artigo se assim o desejar.

Je ne sais pas à qui appartiennent ces photos. Je les ai utilisées pour illustrer le propos de l'article, mais si quelqu'un le souhaite expressément par mail, je l'enlèverai ou publierai alors la citation qui me sera communiquée par la personne habilitée à le faire.

TEXTO REDIGIDO POR ALAIN FOLGOAS
TRADUÇÃO E ADAPTAÇÃO: KRIS XIVA
REVISÃO: CLÁUDIA INÊS ROCHA VIEIRA