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quarta-feira, 31 de outubro de 2012

BATOM, GLAMOUR, TERNURA E BELEZA...

MAX FACTOR,- 1950  e  FUTURAMA - publicidade da REVLON de 1957 



Se o uso do batom está conectado às duas grandes guerras mundiais do século XX, ele está também ligado ao cinema e ao fenômeno da publicidade.

Fenômeno da moda e dos movimentos artísticos que atravessaram a metade do século passado, o batom, fixado na tela da sétima arte, começou também a ser usado nas ruas. 

A mulher o usou, inicialmente como uma arma para se afirmar e marcar sua identidade como mulher livre. Foi sobretudo a partir da segunda guerra mundial que as mulheres ousaram usar livremente o batom. 

MAX FACTOR - 1960

Hollywood era dominado por maquiadores  como Max Factor ou Bud Westmore e os monstros sagrados do cinema americano como Ava Gardner, Marilyn Monroe, Lauren Bacall, Tippi Hedren, Grace Kelly, Elizabeth Taylor ou ainda Rita Hayworth... Personagens que coloriram o inconsciente coletivo feminino europeu, particularmente na França.

A parisiense new look se identificou com estas vedetes estampadas nos jornais... O batom não era mais o símbolo das mulheres levianas e mundanas...  Ele passou a ser o acessório essencial de toda mulher elegante.


BLACKAMOOR - Estojo de batom combinando com a bolsa - 1950


O PAPEL DO CINEMA

Graças ao cinema, os valores foram sendo modificados. No famoso filme ‘Breakfast at Tiffany´s, de 1961, Audrey Hepburn (no papel de Holly Golightly) simbolizou a mulher livre cuja elegância é codificada pela  frase:  ‘Hand me my purse, will you, Darling? A girl can´t read  that sort of thing without her lipstick’…

As grandes estrelas de Hollywood inspiraram as empresas de cosméticos que passaram a vender suas coleções de batom usando as imagens das atrizes ou apresentando o luxo sofisticado de seus estojos criados por grandes joalheiros.




Célebres pintores e ilustradores também colaboraram com seus talentos na promoção do uso do batom.

Revlon editou, de 1961 a 1962  uma coleção de batons representando uma ´serie de bonecas estilizadas. Cada boneca representava uma celebridade da época.  



Traduzido e Adaptado do livro "LÈVRES DE LUXE" de JEAN-MARIE MARTIN-HATTEMBERG por KRIS XIVA.

ESTOJOS EM FORMA DE MONUMENTO




Cilíndricos ou cúbicos, os estojos de batom foram se singularizando ao se inspirarem em elementos arquitetônicos, até reproduzirem integralmente a forma de monumentos célebres.  

Durante os anos 1950, o joalheiro Nichilo, estabelecido em  Roma, criou para o mercado norte americano um suntuoso estojo de batom feito de prata e banhado a ouro, com incrustações de pedras que imitavam rubis e turquesas . Est estojo reproduzia fielmente a Torre de Pisa.

O estojo, ligeiramente inclinado como a célebre torre, é um fragmento da Itália e uma lembrança que as ricas ítalo-americanas de Nova York ou Chicago deviam obrigatoriamente possuir em suas bolsas.

Borsari, famoso fabricante de perfumes lançou um novo batom ‘Notte Romana’, que vinha acondicionado em um estojo (de latão estampado)  em forma de coluna iônica. Enquanto isto, em Paris, Christian Dior criou, em 1955, um estojo de batom  para as penteadeiras femininas, tomando como inspiração o Obelisco da Praça da Concórdia, célebre monumento francês.

Para homenagear Veneza, Lancôme solicitou à Maison Reboul que esta criasse um estojo inspirando-se na pilastra de madeira decorada  onde eram amarradas as gôndolas.


Traduzido e Adaptado do livro "LÈVRES DE LUXE" de JEAN-MARIE MARTIN-HATTEMBERG por KRIS XIVA.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

ESTOJOS DE BATOM COM O FORMATO DE ANIMAIS





O “Bestiário’ do batom existe e surpreende! Em primeiro lugar, não nos esqueçamos que vários tipos de gordura animal entravam na composição de diversos batons.
 Estojos de leitõezinhos, cisne majestoso, elefantes, camelo, cão, águia ou cegonha ilustravam o mundo do batom com muito senso de humor.

Se o leitão simbolizava a luxúria e a depravação, o cisne representava a pureza, a beleza e a nobreza. 




O elefante simbolizava força, prosperidade e longevidade. A águia representava a força celeste e a coragem, enquanto a cegonha simbolizava a piedade filial. Enfim, se o cão era percebido como símbolo de potencia sexual, por outro lado, o camelo representava a sobriedade e a temperança.

As aves inspiraram amplamente os criadores, especialmente Salvador Dali, pintor surrealista que trabalhou com moda nos USA nas décadas de 40 e 50. 




Ele desenhou um estojo feito de latão e banhado a ouro, fabricado pela Elgin (Maison americana de acessórios de moda e relógios). Este raro objeto de Dali que foi denominado de “Bird in Hand’ é a representação da cabeça de um pássaro, na qual está dissimulado um estojo de batom.

Não nos esqueçamos do gato, animal sagrado e venerado já na Antiguidade pelos Egípcios. Em 2008 e 2009, Paul & Joe, luxuosa Maison de prêt à porter, criou estojos de batom representando o nobre felino. 




Traduzido e Adaptado do livro "LÈVRES DE LUXE" de JEAN-MARIE MARTIN-HATTEMBERG por KRIS XIVA.

sábado, 27 de outubro de 2012

ESTOJOS KITCH




Para muitas pessoas, os acessórios kitsch podem parecer estranhos ao mundo da beleza e da elegância. Mas será que o kitsch não seria uma referência também de fantasia, de surrealismo e de derrisão? 

Com efeito, diversas Maisons de luxo e marcas de cosméticos não hesitaram a adotar este estilo para conceber estojos de batom e gloss compactos sem dúvida numa tentativa de escapar da monotonia da estandardização de designs demasiadamente depurados.

Assim, em 1939, a Maison de costura Paquin, lançou um batom inédito que foi apresentado com um design inesperado, além de possuir um nome diferenciado: “Les Allume-Lèvres’ (Os acendedores – incendiadores  de lábios)...  O estojo, em forma de uma pochette bicolor de couro continha o batom que era apresentado através de pequenos  bastões cuja forma representava fósforos.




Cada fósforo acenderia os lábios com um flash vermelho! Assim, a vamp existente em cada mulher estaria pronta para incendiar corações...

Em 1945, Grenoville, fabricante de perfumes parisiense, revolucionou a apresentação dos batons. Ele incumbiu uma equipe para a realização de um estojo feito de madeira com mecanismo giratório em forma de sombrinha, em   puro estilo japonês. Esta criação insólita foi  elaborada  por Charles Friedlander, engenheiro alemão estabelecido em Annecy.




Kirby Beard, Maison britânica fundada em 1743, vendedora de relógios Omega, objetos decorativos e artigos de moda, também se distinguiu editando um estojo de batom feito de latão massivo em forma de lâmpada de mineiro. Criação estranha para um batom, sobretudo porque o universo dos mineradores faz referência à cor preta e não à vermelha!

Entretanto foi  a marca Avon que sobressaiu-se pela edição de batons e estojos kitsch, sendo que a era de ouro desta tendência teve seu auge na década dos anos 70.




 Garrafinha de Coca Cola, lápis colorido, ovo, óculos, estojo em forma de boca, corneto de sorvete ou amendoim era assim que os americanos promoviam seus batons...

Elizabeth Arden seguiu o movimento e adotou um estilo ‘Peace and Love’, enquanto Lamis-King, fabricante de cosméticos de origem taiwanesa fabricou estojos de batom em forma de vaso...


Traduzido e Adaptado do livro "LÈVRES DE LUXE" de JEAN-MARIE MARTIN-HATTEMBERG por KRIS XIVA.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

MAQUIAGEM DOS LÁBIOS - MORFOLOGIA E TRAÇADO


MAQUIAGEM DOS LÁBIOS, EVOLUÇÃO DO USO DAS CORES E DA MORFOLOGIA DO TRAÇADO LABIAL AO LONGO DO SÉCULO PASSADO




1920 - PROIBIÇÃO E REBELIÃO



A sedução dos anos 20 é traduzida por uma boca matificada em forma de coração. As mulheres se emancipavam, saíam à noite, bebiam uísque e dançavam Charleston. Com os filmes mudos, era evidente a importância de se acentuar os lábios... Clara Bow, Theda Bara, Mae Murray foram as grandes estrelas inspiradoras. Maquiagem dos lábios: cores preta e vermelho granada.



1930- OS TEMPOS DA GRANDE DEPRESSÃO  



 Os anos 30 marcaram o retorno da sobriedade: os lábios passaram a ter contornos mais afinados para um estilo severo e estrito que traduziria este tempo de privações e economia. Greta Garbo e Marlene Dietrich  foram as grandes estrelas da época, ambas encarnaram mulheres andrógenas, maduras, de aço. Maquiagem dos lábios: vermelho com um toque de marrom, para uma boca sedosa e cintilante.


 1940- ANOS DE GUERRA


O arco dos lábios passou a ser desenhado de forma simétrica para a obtenção de um look que inspirasse coragem e segurança em tempos de restrição. Os homens fizeram a guerra e as mulheres assumiram a casa. Hayworth, Joan Crawford, Bette Davis e Katherine Hepburn foram as figuras míticas que encarnavam esta nova mulher. O batom da época demonstra poder e mascara o sofrimento. Cor da boca: Vermelho morango glossy.



 1950-  O PÓS GUERRA


O contorno dos lábios vai além da linha natural e deu o tom da nova era. Nota-se a imposição de um look mais feminino, mais sedutor que valorizasse a ambivalência das mulheres que lutavam pelo abandono dos antigos esquemas familiares e pela independência, ainda que se designassem também como bonecas (quem não se lembra do ícone da pin up)... Marylin Monroe e Audrey Hepburn foram os ídolos da época. Maquiagem dos lábios: fortes cores vermelhas e rosa choque.


1960 – O GOSTO PELO EXTREMO



A boquinha com biquinho foi a boca emblemática do look rebelde dos anos 60. Movimento hippie, revolução sexual, progresso científico, Woodstock e o movimento Flowerpower marcaram a época. Twiggy e Brigitte Bardot foram os símbolos da recusa de uma beleza que se limitasse dentro de parâmetros. Maquiagem dos lábios: batom discreto, quase invisível. Cores dominantes: nudes brilhantes, rosa baby doll, prateado e branco.



 1970- LOOK DISCOTECA



Boca brilhante com contorno bem marcado. O look disco colorido invadiu o mundo juntamente com os sapatos de plataforma alta, saltos annabella, os discípulos de Bhagwan, os incensos, as divas da música Soul como Gloria Gaynor ou Diana Ross, que se tornaram grandes referencias. As mulheres aproveitaram a emancipação, estudaram e quebraram as convenções. Maquiagem dos lábios: Visível, na cor vermelho- púrpura brilhante, granada.



 1980 – A DÉCADA PUNK



A boca escura e larga representou o look provocador dos punks. As mulheres, cansadas de serem consideradas como objetos sexuais, lançaram o primeiro movimento ‘anti-beleza’. Boy Georg, o travesti chic, Vivienne Westwood e Malcolm MacLaren reivindicaram o fato de pertencerem  a uma tribo. A beleza passou a escolher seu clã. A cantora Madonna foi o símbolo principal desta época. Maquiagem dos lábios: Batons escuros, inclusive a cor preta e a incursão de coloridos metálicos.


1990 – NASCE O INDIVÍDUO



Lábios maquiados de forma natural, contorno clean, às vezes mate, às vezes brilhante ilustraram o look individualista dos anos 90. A sociedade de lazer, os celulares, internet, o mundo da tatuagem, piercings, o hip hop, a música Techno e a moda fitness foram as manifestações desta nova era. A moda renovada incessantemente passou a autorizar tudo. Julia Roberts, Meg Ryan, Demi Moore e Britney Spears foram as divas da época. Maquiagem dos lábios: o marrom também chegou com força total, mas todas as cores passaram a ser solicitadas.



 2000- O NOVO MILÊNIO



 « Cocooning », ou o retorno aos valores seguros: a família, os amigos, são estes os valores reivindicados pelos indivíduos do século nascente. Cores naturais e sóbrias, pastéis, tons suaves que vão do beige ao pêssego e rosa. Estas ‘não cores’ são os símbolos de um retorno ao que é natural e que marcam o sentimento de insegurança  face ao futuro...



Traduzido e Adaptado por Kris Xiva de
BEAUTYPRESS
INSPIRAÇÕES:
Aucoin, Kevyn: Die Kunst des Make-up, München: Journal International Verlag, 1995
Pallingston, Jessica: Lipstick, 1. Aufl.
New York: St. Martin’s Press, 1999

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

AS CORES...





A COR


Se cada dia cai,

dentro de cada noite,
há um poço
onde a claridade
está presa.
há que sentar-se
na beira do poço
da sombra
e pescar luz caída
com paciência.

Pablo Neruda




UM POUCO DE HISTÓRIA

A utilização das cores data da origem da humanidade. Desde a pré-história até nossos dias a manipulação das cores foi uma constante em todas  civilizações. Há cerca de 30 000 anos o homem da caverna já usava pigmentos naturais para realizar afrescos que ornavam as paredes das grutas.

Em nosso século a cor ainda é um tema atual. A procura de novos luminóforos para a realização de telas de visualização conhece, atualmente, um acentuado desenvolvimento científico e tecnológico. Assim, a  história da cor está intimamente ligada à da humanidade: a análise das pinturas rupestres mostra que a diversidade das cores obtidas com os ocres naturais estava ligada ao domínio do fogo. Os óxidos de ferro, ao serem esquentados, tinham suas cores transformadas, de amarelo para o vermelho.

Durante muito tempo o homem usou pigmentos naturais de origem mineral (o azul do lápis lazuli, o cinabre HgS), animal ( a cor vermelha extraída de moluscos ou de insetos) ou vegetal (plantas) mas a verdadeira revolução das cores ocorreu na segunda metade do século XIX, com a síntese feita por Henry Perkin de uma planta denominada mauveína. Henry foi o responsável pela criação do primeiro corante sintético.

Neste momento histórico, a cor passou a representar um papel fundamental na evolução da sociedade. Em poucos anos, o aparecimento de colorantes de síntese arruinou a agricultura tradicional de índigo e outras plantas. A nova química orgânica rapidamente ultrapassou o universo dos colorantes para lançar as técnicas da quimioterapia e levar ao desenvolvimento da indústria química europeia.
Jacques Livage




 ENFIM... O QUE É A COR?

A cor é uma percepção sensorial provocada por radiações luminosas, fenômeno complexo que coloca em relação diferentes parâmetros: uma fonte luminosa, um objeto e um receptor (olho-cérebro). As percepções de uma cor e suas denominações estão relacionadas a dados não apenas físicos e fisiológicos, mas também psicológicos e culturais. Assim sendo, uma determinada cor é definida tanto descritivamente quanto simbolicamente (quais são os valores da cor em uma determinada sociedade e em uma determinada época).



SIMBOLISMO


O simbolismo das cores é um assunto que interessa sociólogos, cientistas, psicólogos, estilistas e demais profissionais da área da beleza e da moda... As interpretações deste simbolismo muitas vezes são contraditórias, pois cada grupo, cada civilização cria seus símbolos coloridos, seu conjunto de simbolismos diversos para cada cor e estes emanam de sua própria visão do mundo.


É inegável que as cores possuem um poder físico, psicológico e fisiológico (lembremo-nos dos camaleões e de certos insetos que se utilizam da metamorfose das cores para se defenderem, e do pavão, que utiliza as cores para seduzir...) Por isto, a  simbologia tradicional das cores ocupa um lugar importante na história da humanidade, de tal forma que a linguagem das cores sempre foi intimamente ligada à religião em quase todas as civilizações ( na Índia -livro dos Vedas;  na China, no Egito –templos;  na Grécia, em Roma e na Europa durante a Idade Média – catedrais góticas).

Para os japoneses, as cores possuem “significados tão delicados que estes ultrapassam o que o homem é capaz de descrever”.




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Para estudar o significado das cores ao longo do tempo, tomei como base o trabalho desenvolvido por ANNIE MOLLARD-DESFOUR, lingüista do Instituto Nacional da Língua Francesa, que elaborou o Dicionário das palavras e expressões da cor do século XX. Nos respectivos volumes deste dicionário, a autora repertoriou palavras e expressões articuladas com as diversas cores, com suas definições, seus contextos, usos, simbolismos, sentidos figurados. A obra retraça também a história política, a história da arte e a do homem. Nos diversos posts que foram traduzidos e adaptados por mim, vocês poderão ler um pouco destes estudos. Basta clicar no MARCADOR 'CORES' do menu à direita.



 Laboratório de Química da Matéria Condensada de Paris 
Laboratoire de Chimie de la Matière Condensée 

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

MAQUIAGEM NA IDADE MÉDIA




Na idade média, o corpo, geralmente dissimulado por roupas largas, devia obedecer a diversas exigências particulares de higiene. A juventude era exaltada e o ideal feminino de beleza consistia em possuir ombros largos, seios pequenos, firmes e bem separados, cintura fina, quadris largos, pescoço comprido e ventre em forma arredondada. A pilosidade era execrada e as mulheres se depilavam com instrumentos feitos de pedras pomes ou marfim.  Os cabelos deveriam ser loiros, longos e ondulados, assemelhando-se ao ouro. Geralmente todas as mulheres depilavam a fronte para conservar um rosto juvenil e valorizar os olhos. A brancura da pele era extremamente importante, ela representava a pureza e a inocência da juventude além de também ser um sinal de nobreza, visto que aquelas que possuíam as peles mais escuras eram os camponeses que trabalhavam sob o sol.



Na idade média, os nobres usavam unguentos feitos com cinzas de ouriço, sangue de morcego, sulfato de arsênico, cal viva, infusões de lagartos verdes com óleo de nozes, enxofre para clarear os cabelos. As mulheres também preparavam máscaras de argila, amido, leite ou mel para tratar suas peles. Agnès Sorel (cerca de 1420-1450), a famosa ‘Dama da Beleza’, aplicava todas as manhãs, sobre seu rosto, uma máscara que continha cérebro de porco selvagem, minhocas e baba de lesmas.



Para ter o hálito perfumado, as mulheres mascavam grãos de cardamomo, funcho e cascas raladas de frutas e seus dentes eram branqueados com bicarbonato de sódio.



A PROIBIÇÃO DA MAQUIAGEM

A maquiagem era proibida pela igreja sob o pretexto que ela travestia as criaturas divinas.
Uma única cor era tolerada: o vermelho, que representava o pudor. É interessante notar que as representações da Virgem Maria desta época foram  feitas sem nenhuma feminilidade. A estatuária românica a representava como um simples suporte que apoiava Cristo em seus braços. 

Durante um período que durou quase dez séculos, a religião teve uma influencia extremamente negativa relativamente ao assunto ‘beleza’. O moralismo ambiente escondia o corpo para deixar à mostra apenas um rosto de tez branca impassível. A maquiagem era considerada diabólica, mas isto foi sendo modificado por aqueles que voltavam das Cruzadas e traziam diversos cosméticos como as pérolas orientais que, moídas e misturadas ao amido de trigo, permitiram a obtenção de um pó branco e nacarado que ao ser passado sobre a pele  resultava em uma tez alvíssima, objetivo de todas as mulheres da época.



 Traduzido e adaptado por KRIS XIVA de:
égétalehttp://vivre-au-moyen-age.over-blog.com/article-13572039.html

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

O AZUL E O VERMELHO




O azul foi uma cor ignorada e desvalorizada durante muito tempo. A partir do século XII, graças aos progressos das técnicas de coloração e tintura e também por razões simbólicas, graças ao culto da Virgem Maria*, a cor azul passou a ser considerada como nobre tornando-se inclusive a cor simbólica dos reis para se tornar, atualmente, uma das cores mais consensualmente valorizadas: é a cor das grandes instituições nacionais ou internacionais e também usada nos distintivos e para indicar mérito.





A palavra ‘vermelho’ tem origem no latim ‘vermillus’, que significa pequeno verme, por causa da cochonilha, inseto do qual é extraído o corante carmim. Era a cor mais estável, mas também a mais cara, o vermelho (particularmente o púrpura) foi a cor reservada à elite a tal ponto que os indivíduos comuns eram proibidos de vestir suas tonalidades, sob pena de morte. 



O vermelho era a cor que representava os reis, os chefes e os dignitários do exército , da igreja e da justiça... Era o símbolo do poder, da dignidade, do mérito e do aparato. Os nomes das matérias colorantes e dos tecidos prestigiosos de cor vermelha falam por si da história social desta cor, representativa de diversas instituições e dignidades: reis e imperadores, chefes de igreja (vermelho cardinal, púrpura cardinal, escarlate), magistrados, soldados do exército francês...  A língua exprime, em sentido figurado, a antiga glória e a excelência desta cor. Púrpura* designou, por metonímia, o poder, a dimensão, a riqueza; escarlate designou a primeira escolha, o mais distinto (vermelho escarlate da nobreza); Vermelho granada designava o que era magnífico... Curioso observar que, no século XX, o vermelho ainda possui esta aura de poder, mérito e de distinção (fita vermelha, tapete vermelho, rosa vermelha...)




Mitos contos e lendas populares refletem o simbolismo da cor vermelha com relação ao conhecimento e à ciência secreta: um boné vermelho e pontudo é usado por anões maliciosos dotados de poderes sobrenaturais, os gnomos (de gnomaï: conhecer), que são anões disformes que, na cabala, representam os gênios do mundo subterrâneo e detêm os segredos da terra, das pedras, dos metais preciosos, além de concederem alma às plantas e animais.




Durante muitos séculos, acreditou-se  que as pedras vermelhas, ligadas ao sangue e ao fogo, combatiam as hemorragias, fortificavam o sangue, o coração e favorizavam o esforço, a luta, a coragem. Assim, segundo uma tradição russa,  os rubis são bons para o coração, o sangue, a memória, o vigor. No ocultismo, o rubi é a  pedra dedicada a Marte que favoriza o esforço, a luta e a coragem. Por outro lado, as pedras azuis (ou pedras celestes) possuem o poder de lutar contra tudo o que é nefasto. A safira e a turquesa são consideradas poderosos talismãs contra o mal olhado no Oriente.




*Um pigmento caro e precioso, obtido da pedra azurita, era reservado para a pintura do manto da Virgem.
* A cor púrpura era obtida através de uma ostra marinha. Era necessário sacrificar milhões destes animais para obter o colorante púrpura, que era tão precioso quanto o ouro. 10.000 ostras permitiam obter um grama do colorante!


TRADUZIDO E ADAPTADO POR KRIS XIVA de artigos das seguintes obras: 
Dictionnaire des Symboles, 1982
Larousse des Pierres Précieuses, 1985
CNRS – Le Bleu et le Rouge – Annie Mollard Desfour

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

SOMBRA BRANCA...




Tenho que confessar que não é uma das minhas preferidas, mas, a pedidos, e porque eu não detenho o bom gosto todo que cabe nesse mundo, fiz uma maquiagem com sombra branca. Para a produção não ficar estranhamente 'estatelada' , resolvi sombrear os olhos com preto fosco, um pouco de cinza e marrom claro, a fim de definir o olhar. O delineador preto do ATELIER foi misturado com pó de pérola, o que deu um efeito de reflexo cintilante prateado ao longo da linha superior dos cílios.




Como me pediram uma produção para festas, usei e abusei de pigmentos e brilhos de estrelas (do ATELIER).

A pele foi feita com a base 5O, que unificou a tez bronzeada da cliente. 

E aí, vocês aprovam ou reprovam?




Abaixo, confiram a versão da Sombra Branca com um sombreado de vermelho na Linha de Transferência!




sábado, 6 de outubro de 2012

COSMÉTICOS - CURIOSIDADES - FORMULAÇÃO



Os produtos de maquiagem possuem, por tradição, as composições mais delicadas da estética visto que são aplicados na pele (base), nos cílios (máscara ou rímel), em volta dos olhos (lápis, Kohl, delineador), nos lábios (batom).



Suas formulações são concebidas a fim de proporcionarem um efeito geralmente múltiplo: mascarar ou atenuar as imperfeições de um rosto, proporcionar uma tez aveludada ou uma cor com nuances e assim transformar sutilmente a aparência e proteger contra as agressões externas. A paleta de cores utilizada atualmente para fabricar as maquiagens se desenvolveu amplamente. Sua utilização corresponde a certos códigos da imagem que as pessoas desejam ostentar: mulher delicada, mulher de negócios, mulher rebelde, mulher fatal, etc...

As maquiagens são compostas por matérias compactas e não abrasivas que não devem perder sua capacidade de fixação nem sua textura após serem aplicadas. Este tipo de composição é obtido através da dispersão de pigmentos coloridos, geralmente de origem mineral como os óxidos de ferro, de cromo, de magnésio, oxicloreto de bismuto e outras composições mistas assim como a mica (que é geralmente associada ao óxido de titânio).
Colorantes de síntese podem também ser utilizados na composição das maquiagens : compostos azoicos (são compostos químicos orgânicos que possuem dois átomos de azoto ligados entre si), fenóis dispersos em uma fase condensada sólida ou semi-sólida emulsionada.





A FORMULACÃO

As formulações devem levar em conta certas características: a dispersão, as propriedades da capacidade de espalhamento da substancia assim como sua aderência, o poder de cobertura e a inocuidade do produto.

 As maquiagens em pasta mais ou menos moles usadas na pele podem conter ceras e  misturas de composições complexas. Capazes de endurecer ou amolecer,  as ceras são os melhores excipientes conhecidos.

Os emolientes promovem untuosidade e a propriedade de deslizamento. São utilizados agentes emulsionantes e dispersantes que criam o filme interfacial necessário para promover a estabilização da dispersão.

Os lápis usados em volta dos olhos são fabricados com ceras e óleos, sendo que o pigmento fica impregnado na massa de cera e posteriormente é comprimido e emulsionado.


O BATOM

É uma emulsão pastosa que pode conter até quinze constituintes. Diversas ceras lhe proporcionam sua consistência; óleos são responsáveis pelo brilho, untuosidade e aderência. Quanto à cor do batom, ela é obtida com derivados da Eritrosina, tetraiodofluoresceína ou da shikonine, uma planta vermelha da China.

É uma formulação especial e o colorante é adicionado na fase aquosa, em uma solução, o que confere um caráter indelével ao batom.


NOTAS: 

EMULSÃO: Emulsão é definida como uma mistura heterogênea de dois ou mais líquidos, os quais normalmente não se dissolvem um no outro, mas, quando são mantidos em suspensão por agitação ou, mais freqüentemente, por pequenas quantidades de substâncias conhecidas como emulsificantes, formam uma mistura estável (dispersão coloidal).


EMOLIENTE: que amolece ou amacia.



TRADUÇÃO LIVRE realizada por KRIS XIVA, do documento: Dossiers découvertes couleurs et matières CNRS - France

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

TOM PECHEUX



Originário da Borgonha, Tom Pecheux, que era padeiro, transferiu-se para Paris, onde estudou maquiagem na tradicional escola "Chauveau". 

Após seus estudos, tornou-se assistente de Linda Cantello porém foi seu trabalho de criação feito com Testino, no início dos anos 90, que o lançou entre os maiores nomes da maquiagem mundial. 


Através das campanhas publicitárias feitas para a Burberry e para a Gucci, veiculou um olhar potente, sensual e, muitas vezes vulnerável sobre a feminilidade. Seu jeito único e suas inovações estilísticas lhe proporcionaram a honra de suceder Serge Lutens, como diretor artístico da Shiseido, que ele transformou, em poucos anos, em um império moderno da beleza.



Tom também assinou diversos desfiles de alta costura das marcas  Prada, Yves Saint Laurent, Givenchy, Balmain, Ralph Lauren, Marni, Max Mara et Jean-Paul Gaultier.  Desenvolveu trabalhos em prestigiosas revistas de moda assim como criou campanhas publicitárias para a YSL, a Dolce e Gabbana, Michael Kors e Versace.


Favorito dos grandes fotógrafos, estilistas e redatores do mundo inteiro, por causa de sua visão sofisticada do glamour parisiense, em outubro de 2009, foi nomeado Creative Makeup Director da marca Estée Lauder, onde trabalha com a orientação artística da nova geração de maquiagem da marca.



Para Jane Hertzmark, a presidente global da marca, Tom vai insuflar uma nova energia, um novo estilo e uma expertise em termos de moda na empresa, pois ele possui um senso inato das cores e grande conhecimento das tendências em matéria de beleza,  e isto, segundo Jane, permitirá à Estée Lauder redefinir a maquiagem de maneira audaciosa.



Traduzido e Resumido por KRIS XIVA da revista L´Express France